Em um dos modelos propostos no mesmo artigo (são seis no total), Canclini descreve o consumo como um processo ritual (ênfase minha), onde a sociedade seleciona e fixa, mediante acordos coletivos, os significados que a regulam. Através dos autores Douglas e Isherwood, ele entatiza que os rituais «servem para conter o curso dos significados» e tornar explícitas as definições públicas daquilo que o consenso geral julga valioso. Ainda segundo o autor, os rituais mais eficazes são aqueles que utilizam objetos materiais para estabelecer os sentidos e as práticas que os preservam.
Por mais polêmica que seja a discussão da fabricação de um calendário de datas especiais pelo comércio, confesso que eu já as incorporei no meu conjunto de rituais. Neste momento, óbvio, estou pensando no Dia dos Namorados. Agora, a partir do momento em que leio que determinada loja oferece às namoradas a oportunidade de fazer uma lista de presentes desejados, para que os namorados passem lá e apenas finalizem a compra, fico me perguntando qual seria o ritual...Acho que aí já entraríamos na esfera do que Canclini definiu como consumismo. Mesmo!
"A Schutz resolveu dar uma forcinha para os namorados presentearem as amadas. É assim. Você passa na loja e escreve os itens que mais gostou na wish list,depois disso a Schutz envia um e-mail personalizado para o namorado com suas dicas, tem até o número de sapato".